sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Sobre a velhice ...

É curiosa a capacidade que temos em acreditar,
que as coisas que deixamos lá fora do nosso presente cotidiano ...
Continuam iguais .
A facilidade de nos espantarmos com a velhice do cão ...da casa ou do amigo  ...
E crer que o tempo em que não estivemos por perto,
protegeu-os das ruínas.
E que só a nós coube a mudança diante do espelho !!!

A espera ...

-Vai com Deus...
É tudo que eu posso dizer.
De resto nada depende de mim,
Afora isto, só a minha  madura vontade de tê-lo de volta á salvo!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Poema para Cibele

(Porque somos parecidas, um dia a Paz ... no outro o Caos...Abismo e pés no chão)


''Em que canto se escondeu a minha Paz ? Que há dias não á vejo;
Em que parte do caminho resolveu correr um pouco mais? Que não alcanço;
A minha Paz tem a leveza das Borboletas Azuis ... Mesmo tempo de vida...
Mesmo ciclo ... Metamorfose : lagarta , casulo e liberdade !
Certos dias ,cansada de seguir em direção contrária;
Ela chega ,se aproxima silenciosa como o por de sol,
E de canto de olho me sorri da janela;
Devolvo o sorriso em contemplação ,pois só de vê-la ali parada por mim , me acalma o coração!
Mas pisco os olhos... ela corre ...Voa , deixando minha alma aos pulos de inquietação...
-Ah se eu pego essa Paz desconfiada !!!
Paz que vai e volta ...invade a minha vida de um jeito que nem se pode contar ,
Que fica ...Se demora um tempo ,depois vai embora .
Deve ter medo de se perder no meu Caos ...
Há dias que não á vejo...
Ah se eu pego essa Paz desconfiada !''


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Paz ...


Quando ele abre seus olhos...
De manhã , na minha cama,
Abraçado pelos lençóis e por mim.
Só alí o dia nasce pra encontrar a sua paz ...
O céu tem a cor dos seus olhos !

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Folia clandestina ...

Hoje andei pelas ruas  desprotegida da chuva ...
E enquanto todos se escondiam embaixo de marquises ,
Eu dançava minha dança esquisita ,
por entre as poças do caminho ...
Delicado sentido de perdição...Faltando o ar ...
Naquela simples alegria de ser eu!

terça-feira, 5 de julho de 2011

O que é insubstítuivel?

Já ouvi alguém afirmar categoricamente uma frase que para mim,
é entre tantas uma das mais tristes e infelizes propagadas por aí ,
Segue a frase : ''Ninguém é insubstítuivel''
Existem ''coisas'' que não são insubstítuiveis:
-Sapatos velhos não são insubstítuiveis;
-Pensamentos antiquados não são insubstítuiveis;
-Manias,roupas,medos e até certos sonhos não são insubstítuiveis;
Pessoas?
Pessoas não entram nesta lista.
Pessoas...
Por mais que nos tenham decepcionado...nos feito sofrer,sangrar de dor ,
mesmo essas são insubstítuiveis,
Porque deixaram em nós marcas , lições ,cicatrizes ...ou como queiram chamar.
Se sobrevivemos a essas dores, se nos fizeram merecedores de crescimento,
Se nos tornaram mais fortes...então são insubstítuiveis ,mesmo que não queiramos .
E para aquelas que nos fizeram nada menos ,que nos sentir vivos...
Apoiados em Amor;
Para aquelas que nos dão o ombro pra que agente encoste nosso cansaço de tudo,
mesmo quando seu ombro está curto demais pra que alguém chore,
bem , para estas deve-se ainda criar uma palavra que supere o ''Insubstítuivel''

terça-feira, 14 de junho de 2011

Embriaguem-se


É preciso estar sempre embriagado.
Aí está : Eis a única questão.
Para não sentirem o fardo horrível do tempo , que verga e inclina para a terra,
é preciso que se embriaguem sem descanso.

Com o quê ? Com vinho,poesia ou virtude ...a escolher ,mas embriaguem-se...

E se porventura ,nos degraus de um palácio ,sobre a relva verde de um fosso,
ou na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar,
pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, 
a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são?
e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, e o relógio responderão: É hora de embriagar-se!!!
Para não serem os escravos martirizados do tempo, embriaguem-se;

embriaguem-se sem descanso". Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.

( Charles Baudelaire)