As vezes me sinto assim, tão pequena , tão insignificante...
Adolescente com mais de vinte,
imersa nos meus pensamentos ...esses sim, gigantes enclausurados.
Embora engane bem,no fundo a solidão me incomoda.
É preciso o calor confortante de outro corpo,
É preciso que um princípio de incendio venha do sangue,
e que esse sangue ferva, queime até tornar-se incandescência !
Sobreviver nestas noites em que me sinto assim é tocar em ferida exposta,
parir com dor ou todo amor do mundo a lágrima mais quieta que já derramei.
E outra vez este vazio se instala,(tão dificil tê-lo em mim),
devagar abre seus longos braços,
me arremessando na irreparável desordem de estar só ,
eu e meu tédio , dois estranhos numa casa conhecida ...
Meus olhos escondem alguém ,quem sabe outro mundo ,
Minha boca, a muito intacta de um beijo seu ... deseja ,
mas o gozo perdeu-se em seu sono tranquilo.
Lá fora , nua a noite é mais linda que o sono, mas como eu ,
ao amanhecer está só em sua enorme cama de ilusões,
sem lençóis ou travesseiros .
Um corpo com seus tentáculos,tentando alcançar estrelas ,
Apenas um corpo tentando alcançar estrelas ...
sexta-feira, 20 de maio de 2011
domingo, 1 de maio de 2011
Talvez a noite me tome,me torça do avesso...
Curvando sobre a cama meu corpo aceso de tudo.
Talvez me cobre o preço do desejo...febre sem cura.
No quarto ,o inconfundível cheiro da obcenidade,
carícias no fundo sem carinho...apenas urgência com toque macio.
Então do homem o esperma quente,o afeto violento.
Da mulher o ventre ascessível ... fissura á margem da pele.
Essa segunda pele não exposta,
de tonalidade secreta , íntima transparência ... lento desvairio,inconsciência.
Pele nua , carne viva a arder em febre entre as pernas fecundas.
Frágil fenda, de onde brota e escoa uma natureza crua...doce .
E para que mais serve um corpo quando o cio chega?
Seu conforto,sua tensão.
Um corpo com todos os gritos do mundo !
Curvando sobre a cama meu corpo aceso de tudo.
Talvez me cobre o preço do desejo...febre sem cura.
No quarto ,o inconfundível cheiro da obcenidade,
carícias no fundo sem carinho...apenas urgência com toque macio.
Então do homem o esperma quente,o afeto violento.
Da mulher o ventre ascessível ... fissura á margem da pele.
Essa segunda pele não exposta,
de tonalidade secreta , íntima transparência ... lento desvairio,inconsciência.
Pele nua , carne viva a arder em febre entre as pernas fecundas.
Frágil fenda, de onde brota e escoa uma natureza crua...doce .
E para que mais serve um corpo quando o cio chega?
Seu conforto,sua tensão.
Um corpo com todos os gritos do mundo !
Num céu de chumbo,sem estrelas ...
sem constelações visíveis ...teu corpo é meu único norte,
rumo certo a seguir com a palma da mão,
Bendito sentido é o tato...doce perdição!
Há algo de Fênix em mim,
que morre e renasce,a cada instante em que meu ventre em teu ventre toca,
pra depois ser apenas mais um pássaro aprendendo a voar,
me lançando frágil em alturas e distâncias cada vez maiores...
...háverá dia em que voltar será vaga tentativa .
sem constelações visíveis ...teu corpo é meu único norte,
rumo certo a seguir com a palma da mão,
Bendito sentido é o tato...doce perdição!
Há algo de Fênix em mim,
que morre e renasce,a cada instante em que meu ventre em teu ventre toca,
pra depois ser apenas mais um pássaro aprendendo a voar,
me lançando frágil em alturas e distâncias cada vez maiores...
...háverá dia em que voltar será vaga tentativa .
Hoje esta vontade quase visceral,
de sair correndo portão afora ,até onde o folêgo sucumba,me abata.
Sem pesar as caras a me olharem estarrecidas ...
Correr de cabeça vazia,só pra cansar o corpo ,
porque na alma não há sinal de energia ,só este dormir acordado.
Quebrado em mil pedacinhos, vou sem mapa...
E já não sei em que esquinas estão rolando os cacos...
De vez em quando consigo ouvir o barulho oco ,
Pedaços de mim caindo ,encontrando chão !!!
de sair correndo portão afora ,até onde o folêgo sucumba,me abata.
Sem pesar as caras a me olharem estarrecidas ...
Correr de cabeça vazia,só pra cansar o corpo ,
porque na alma não há sinal de energia ,só este dormir acordado.
Quebrado em mil pedacinhos, vou sem mapa...
E já não sei em que esquinas estão rolando os cacos...
De vez em quando consigo ouvir o barulho oco ,
Pedaços de mim caindo ,encontrando chão !!!
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Fronteiras
Ao contrário daqueles que se entregam de corpo e alma,
existem pessoas incapazes de amar...assim sem medo,
eu não tenho essa coragem.
Há em mim uma fronterira pré-definida,
de até quanto alguém pode chegar,e se eu sentir algum passo além ,
é incrível a capacidade extremamente ágil de me afastar...sem remorsos,
ou saudades de quem fica.
Talvez além dessa fronteira estúpida ,logo no segundo passo assustado ,
todas as sensações mornas do amor me esperem,
já impacientes por ainda não sabê-las ...
existem pessoas incapazes de amar...assim sem medo,
Ou melhor ,de se entregar ao começo de um amor .
Invejo aqueles que dizem : '' Sempre me atiro de cabeça numa relação'',eu não tenho essa coragem.
Há em mim uma fronterira pré-definida,
de até quanto alguém pode chegar,e se eu sentir algum passo além ,
é incrível a capacidade extremamente ágil de me afastar...sem remorsos,
ou saudades de quem fica.
Talvez além dessa fronteira estúpida ,logo no segundo passo assustado ,
todas as sensações mornas do amor me esperem,
já impacientes por ainda não sabê-las ...
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Eu vi a face da Morte , zombando do medo que eu sentia ,
Medo ... veneno que paraliza a presa ...
Seu hálito morno ... sua pele clara ... inabalavelmente fria .
Mas o que me paralizou diante desta face,
não foi fato de ver o meu passado inteiro desbaratado ,
rodando como num filme documentado ,
Mas o que eu não via ... O futuro...
O futuro me atirando na cara essa condição de ser finito, mortalidade aterradora.
O azul da tela quando chega o final da fita .
Ali tive a nítida sensação de acabar um pouco.
E quando sorriu , essa face deformou o tempo, que parou por um segundo...
Um segundo abandonado ... um minuto recente ,ou uma eternidade em meio a tudo que acaba?
Ainda não decifrei esse momento .
Abro os olhos , coração na mão ... Deus foi só um sonho ...
Vou até a janela e acordo para os ruídos da casa que não dormia,
Para os ruídos da noite,
que deslocam meus sentidos para as coisas lá de fora,
O gato correndo pela rua ,distraído a procura de algo que lhe sacie a fome e o instinto.
A chuva batucando alguma lata baldia ...
Sou toda ouvidos, olfato e posso até sentir o gosto de algumas lembranças recentes.
Medo ... veneno que paraliza a presa ...
Seu hálito morno ... sua pele clara ... inabalavelmente fria .
Mas o que me paralizou diante desta face,
não foi fato de ver o meu passado inteiro desbaratado ,
rodando como num filme documentado ,
Mas o que eu não via ... O futuro...
O futuro me atirando na cara essa condição de ser finito, mortalidade aterradora.
O azul da tela quando chega o final da fita .
Ali tive a nítida sensação de acabar um pouco.
E quando sorriu , essa face deformou o tempo, que parou por um segundo...
Um segundo abandonado ... um minuto recente ,ou uma eternidade em meio a tudo que acaba?
Ainda não decifrei esse momento .
Abro os olhos , coração na mão ... Deus foi só um sonho ...
Vou até a janela e acordo para os ruídos da casa que não dormia,
Para os ruídos da noite,
que deslocam meus sentidos para as coisas lá de fora,
O gato correndo pela rua ,distraído a procura de algo que lhe sacie a fome e o instinto.
A chuva batucando alguma lata baldia ...
Sou toda ouvidos, olfato e posso até sentir o gosto de algumas lembranças recentes.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Rotina de doido ...
Começo a ver novamente a beleza das coisas...
Depois de dias de completa miopia,completo desvairio de mim.
E como quem chega no escuro,e depois de algum tempo se acostuma com a penumbra,
vou também me acostumando com os dentes do dia a mostra,
num sorriso largo,
como um convite sul-realista, que poucos saberão interpretar como milagre!
E confesso (acredito) que essas cores ,essa claridade, devem ser parte de mim
Por isso emergir da escuridão não torna-se tão doloroso aos meus sentidos sonolentos,
E como gato depois do sono ,me espreguiço sem pressa...
Pois não sei quanto tempo de sol , luz e vida matizada ainda tenho,
até cair a noite do meu desassossego...
Essa é minha rotina de doido ... cores e solidão.
Depois de dias de completa miopia,completo desvairio de mim.
E como quem chega no escuro,e depois de algum tempo se acostuma com a penumbra,
vou também me acostumando com os dentes do dia a mostra,
num sorriso largo,
como um convite sul-realista, que poucos saberão interpretar como milagre!
E confesso (acredito) que essas cores ,essa claridade, devem ser parte de mim
Por isso emergir da escuridão não torna-se tão doloroso aos meus sentidos sonolentos,
E como gato depois do sono ,me espreguiço sem pressa...
Pois não sei quanto tempo de sol , luz e vida matizada ainda tenho,
até cair a noite do meu desassossego...
Essa é minha rotina de doido ... cores e solidão.
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